
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas deflagrou nesta quarta-feira, 21 de dezembro, a Operação Maraã. Agentes da Polícia Civil e do Gaeco prenderam no início da tarde, em Tefé, a 575 km de Manaus, o prefeito de Maraã, Magno Moraes (PMDB).
De acordo com o Coordenador do Gaeco, Procurador de Justiça Mauro Veras, há fortes indícios que apontam o envolvimento de Magno na morte do ex-prefeito, Cícero Lopes, em fevereiro deste ano. Eleito nas últimas eleições para a prefeitura de Maraã, Magno Moraes agia para dificultar as investigações do Ministério Público e da polícia. “A presença do prefeito Magno Moraes na prefeitura estava causando constrangimentos às eventuais testemunhas e até mesmo intimidação para que elas não colaborassem com a investigação. Há fortes indícios do envolvimento dele no crime, mas como ainda está em segredo de justiça, nós não podemos antecipar, até para resguardar as provas que vão apontar os responsáveis pelo assassinato do ex-prefeito”, afirmou o Procurador de Justiça.
O Prefeito eleito de Maraã desembarcou na capital no fim da tarde desta quarta-feira, fez exame de corpo de delito no IML e foi recolhido ao Centro de Detenção Provisória Masculino. Nesta quinta-feira pela manhã Magno foi ouvido por delegados da Polícia Civil e Promotores do Gaeco. Segundo o Ministério Público, outras pessoas podem ser indiciadas. Em coletiva de imprensa, na sede do MP-AM, o procurador-geral de Justiça por substituição, Pedro Bezerra, destacou o trabalho de parceria com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Seseg) e a preocupação em manter a ordem no município. “O presidente da Câmara Municipal vai assumir a prefeitura e dar continuidade à vida normal na cidade, efetuando o pagamento dos servidores, enfim, de todos que não têm culpa do que esta acontecendo, tudo está funcionando e estamos de prontidão para que continue desse jeito”, afirmou o PGJ.
O Secretário de Segurança, Sérgio Fontes, garantiu que a situação no município está sob controle, mesmo assim reforçou o policiamento em Maraã. “Já mandamos na quarta-feira à noite 8 policiais pra lá, hoje está indo um oficial e nós estamos preparados pra reforçar mais ainda, se necessário for levaremos um efetivo do Choque para o município, mas a informação que temos é de que tudo está sob controle”, garantiu o Secretário.
O inquérito policial tem mais 10 dias, a partir da prisão do prefeito, para ser concluído, daí o Ministério Público terá 5 dias de prazo para oferecer a denúncia à justiça. Magno Moraes foi eleito prefeito de Maraã nas Eleições de 2016 com 52,13% dos votos.
O caso
O ex-prefeito de Maraã, Cícero Lopes, morreu na noite do dia 28 de fevereiro após ser atingido com um tiro próximo à residência onde morava. O crime ocorreu por volta das 19h e o tiro teria sido disparado de dentro de uma escola próximo à casa do prefeito.
No dia 5 de março, três pessoas foram transferidas para a capital por suspeita de participação na morte do ex-prefeito. Os suspeitos Aldemir Alves de Freitas, Lázaro Moraes de Assis e Marcos Aleksandro Praiano da Silva, respectivamente, de 42, 43 e 25 anos, desembarcaram em no Aeroporto Eduardo Gomes, na Zona Oeste de Manaus, em um voo fretado.
O empresário Aldemir é apontado pela polícia como o suposto mandante do assassinato. Lázaro é primo do antigo vice-prefeito do município. Já Marcos, que teria confessado envolvimento à polícia, é enteado do suposto atirador.
Texto: Ascom MPAM