
Reiniciou na manhã de hoje, dia 3 de setembro de 2015, no Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), o Curso Teórico e Prático de Investigação Criminal, que está sendo realizado desde o mês passado, no auditório Procurador de Justiça Gebes Medeiros, na sede da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), no bairro Nova Esperança, Zona Oeste de Manaus. Pela manhã, das 8h30 até o meio-dia, ocorreu o Módulo III do Curso, com as palestras "Lavagem de Dinheiro, Formação Cartel e Crimes Contra a Administração Pública" e "Investigação Financeira", ministradas pelo Promotor de Justiça de São Paulo Arthur Pinto Lemos Júnior.
O evento de hoje, que inclui, agora de tarde, o Módulo IV, foi aberto pela Diretora do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), Promotora de Justiça Wandete de Oliveira Netto, que deu boas vindas aos palestrantes e convidados do curso. Em seguida, o primeiro palestrante do dia agradeceu o convite para o evento e falou da oportunidade de trocar de experiências com os seus colegas do MP-AM. "Primeiramente, obrigado ao MP-AM, à escola (CEAF) e aos colegas do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) pelo convite para este curso. Com certeza, o evento é muito útil e incentiva a não trabalharmos sozinhos, apesar da distância entre São Paulo e o Amazonas. Meu objetivo aqui é mostrar como é feito o trabalho do MP em São Paulo sobre o crime organizado", disse.
Durante a palestra "Lavagem de Dinheiro, Formação Cartel e Crimes Contra a Administração Pública", o Promotor de Justiça falou sobre como identificar uma organização criminosa, que, segundo ele, se divide em dois tipos, as organizações privadas, que são de domínio do tráfico de drogas, e as organizações econômicas, que geralmente surgem por meio de terceiros e de empresas. "Hoje, não tenho dúvida de que o Brasil está sofrendo com atuação de várias organizações criminosas, que atuam em vários eixos econômicos do País. Precisamos agir, pois, as pessoas esperam da gente o combate à corrupção", afirmou.

Para Arthur Lemos, os Promotores de Justiça precisam se dedicar mais aos casos aparentemente pequenos, pois, em sua opinião, neles se escondem "grandes organizações". "Uma vez, um time de futebol da primeira divisão dizia que sempre vendia todos os seus ingressos e o mais curioso é que em todo o jogo a plateia sempre estava vazia. Fomos investigar e descobrimos que aquele time, que tinha surgido recentemente, estava na realidade é fazendo lavagem de dinheiro", contou.
Ainda segundo o Promotor do Grupo Especial de Repressão aos Delitos Econômicos do MP/SP (GEDEC), Arthur Lemos, o objetivo dessas organizações criminosas econômicas, que atuam por meio de empresas, é o acúmulo de riquezas e bens, ainda que suas vítimas sejam difusas como o meio ambiente, o setor financeiro ou econômico e a lavagem de dinheiro. O Promotor lembra que é muito difícil reconhecer os chefes dessas organizações, devido à exposição da mídia sobre os casos que revelam alguns métodos usados pela Justiça, como a interceptação de telefones. "Então, para driblar qualquer suspeita, geralmente, esses grupos fazem comunicação por meio de reuniões secretas e usam de meios fechados e invioláveis para se comunicar", afirmou o Promotor de Justiça.
O III módulo do curso continua logo mais, às 14h, ainda com o Doutor Arthur Lemos, que tratará, junto com da palestrante Leila Ribeiro de Araújo (MP/SP), do tema "Investigação Financeira".