Iniciativa prepara facilitadores para atuação em escolas e projetos de acolhimento a vítimas de violência doméstica 

Após quatro dias, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) concluiu, na quinta-feira (21/05), a formação de facilitadores em Justiça Restaurativa (JR) no município de Novo Aripuanã. A capacitação reuniu profissionais de diferentes áreas para fortalecer a implementação de projetos voltados à cultura da paz e à resolução consensual de conflitos.  

Promovida pela Promotoria de Justiça local, em parceria com o Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição (Nupia), como parte das ações preparatórias para a execução dos projetos Escola em Paz, Acolhendo Vozes e Novos Caminhos, a atividade foi aprovada pelos participantes.

Para a coordenadora do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Antony Almeida Miranda, a experiência foi além de sanar dúvidas.

“O curso foi uma verdadeira transformação humana, uma forma de ver o outro com olhar mais sensível, mais humano. Vivi em quatro dias o que não imaginava ser possível, pois os dias na prática cotidiana são intensos e, muitas vezes, nos endurecem para podermos sobreviver", destacou a coordenadora. 

Já o assessor de Gestão Educacional de Escolas Estaduais de Novo Aripuanã, Dickmann Weckner, afirmou que o curso tem uma importância fundamental na construção de uma sociedade mais humana, consciente e preparada para resolver conflitos por meio do diálogo, da escuta e da responsabilização. 

“Mais do que apresentar teorias, a formação desperta reflexões profundas sobre convivência, respeito e reconstrução das relações humanas. Foi de grande importância o Ministério Público direcionar esse curso para a sociedade, formando facilitadores autênticos e comprometidos com a cultura de paz. Essa iniciativa fortalece não apenas as instituições, mas também as comunidades, ao preparar pessoas capazes de ouvir, mediar conflitos e promover relações mais respeitosas e acolhedoras”, elogiou.

De acordo com a promotora de Justiça Jéssica Vitoriano Gomes, o município ganha 16 facilitadores em Justiça Restaurativa em áreas estratégicas, como assistência social, educação e Conselho Tutelar.  

“Esses profissionais foram capacitados para atuar na prevenção e resolução pacífica de conflitos, fortalecendo o diálogo, a escuta qualificada e a construção coletiva de soluções. A formação representa um avanço importante para a consolidação de práticas mais humanizadas e eficientes no enfrentamento de situações de violência, vulnerabilidade e conflitos interpessoais, especialmente no ambiente escolar, familiar e comunitário”, enfatizou a promotora. 

Programação 

Ao longo dos dias, os participantes tiveram contato com práticas restaurativas fundamentadas no diálogo, na escuta qualificada e na construção coletiva de soluções – metodologias que passam a ser incorporadas às iniciativas desenvolvidas no município. 

Os projetos contemplam ações no ambiente escolar e também junto a grupos de vítimas de violência doméstica e familiar contra a mulher, buscando ampliar espaços de acolhimento, responsabilização consciente e reconstrução de vínculos sociais. 

Com a conclusão da capacitação, a expectativa é que as práticas restaurativas passem a ser aplicadas gradualmente em diferentes contextos do município, contribuindo para uma atuação mais colaborativa na prevenção e no enfrentamento de conflitos. 


Texto: Orlando Menezes
Foto: Divulgação/MPAM

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