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Carta foi lida pela atual PGJ Leda Mara Albuquerque, durante o velório do ex-membro, na terça-feira (30)

Em uma emocionante carta de despedida, o vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Mauro Campbell Marques, despediu-se do ex-procurador-geral de Justiça (PGJ) do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) Aguinelo Balbi.

A carta foi lida pela atual PGJ do MP Leda Mara Albuquerque, durante o velório do ex-membro, na manhã da última terça-feira (30/06).

A publicação pode ser conferida, na íntegra, a seguir:

Hoje é um daqueles dias em que um belo livro de memórias institucionais e pessoais é retomado em nossas mãos para que revivamos longos e belíssimos exemplos a referenciar trajetórias múltiplas de abnegação, zelo e de probidade no desempenho da sublime missão de SERVIR AO PÚBLICO.

A neblina desta manhã fria aqui em Brasília ainda não havia sido dissipada pelo raiar do sol quando me chega a notícia de que AGUINELO BALBI, O SERVIDOR PÚBLICO, havia voltado para a Casa do Pai.

Não teremos como relatar nestas curtas linhas toda a folha de serviços prestados por ele ao contribuinte amazonense atuando em todos os ramos da atividade pública, porém é dever nosso realçar a absoluta coerência entre seus atos e a contemporaneidade deles como forja prospectiva de politicas públicas que fortaleceram Instituições para que estas, por escopo, aprimorassem-se em favor do Povo, jamais por interesses de cunho eminentemente personalíssimos.

Tudo o que o doutor AGUINELO BALBI jamais fez foi cultuar sua personalidade! 
Ao Ministério Público do Estado do Amazonas ele serviu e construiu uma Obra cujos alicerces sustentam hoje uma Instituição absolutamente distinta daquela por ele gerida nos anos oitenta. Sob sua batuta vimos a conversão constitucional da Graduada Instituição, fazendo-a se aproximar da sociedade, muito especialmente das comunidades mais pobres e mais sofridas pelas desigualdades sociais desafiadoras das periferias de Manaus ou das Comarcas pelo vasto e distante interior amazonense.

AGUINELO preocupou-se não somente com a presença física dos Membros do MP nas cidades onde deveriam servir, ele voltou seu olhar para a quebra do temor reverencial que sempre abriu um abismo entre a sociedade e aquele a quem a Constituição delegou assegurar o exercício de direitos, sendo sempre, o Promotor de Justiça, um condutor de Esperanças pela tão sonhada Isonomia de tratamento como vetor da Paz Social tão almejada por todos nós.

Muito particularmente, após cumprir minha missão no inicio da carreira nas Promotorias de Justiça de Manicoré (tento respondido também pelas de Novo Aripuanã e Humaitá), tive o privilégio de ter sido eleito, pelo Conselho Superior do MP Amazonas, como titular da 12ª Promotoria de Justiça da Capital, com assento na Secretaria-Geral do MPAM, ao tempo em que o doutor AGUINELO assumira a Chefia da Instituição. Com ele me apaixonei pela gestão pública e prestei modesta contribuição para aquela que foi a gestão divisora de condutas em favor da sociedade. 

O quadro funcional do MP duplicou em números e os investimentos foram direcionados a criar um ambiente de fidúcia, de confiança institucional mesmo da população para com o Ministério Público, exatamente no instante em que um novo Sistema Constitucional criava um Ministério Público sem precedentes. Não há em qualquer outro país uma Instituição pública da envergadura constitucional que o MP brasileiro, e AGUINELO lutou bravamente para que todos nós, então Membros dessa Instituição, fossemos tomados por essa boa e salutar empreitada e difundir o que era um Promotor de Justiça, para que existia esse servidor e como a sociedade deveria ter neles não um porto seguro estático e burocrático, mas uma porta sempre escancarada para solução de grande parte de seus problemas mais candentes, desafios gerados pelas desigualdades aviltantes.

Singelamente, meu Chefe (assim que o tratei até hoje), a emoção ainda está muito forte, a minha dor por sua partida ainda não se converteu em saudade, mas não vou escrever mais nada para homenageá-lo, sobretudo para que o senhor não me repreenda com seu olhar contrariado, embora tenhamos construído uma relação bem mais intensa que uma natural Amizade e eu ter podido lhe prestar todas as homenagens in persona, em voz alta e com um orgulho sentido por mim e por toda nossa família.

Siga com Deus e durma o sono dos Justos!
Aos seus familiares, Soraia, Camilo, AGUINELO Júnior e Hilda, netos, minha renovada gratidão e solidariedade cristã.

Parabéns ao Ministério Público do Estado do Amazonas por ter experimentado tão alvissareiro protagonismo institucional forjado e fomentado por AGUINELO BALBI e que seus atuais Membros honrem essa tradição para todo o sempre.

MAURO LUIZ CAMPBELL MARQUES


Texto (introdução) e foto: Ascom

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